O que o Barcelona pode ensinar a novos empreendedores?

Por João Gabriel Chebante (@Chebante)

Não sou um grande fã de futebol. Meu esporte favorito é o automobilismo, o qual podemos conversar depois. Mas a questão é que estamos assistindo a construção de uma dinastia no futebol. Uma quebra de paradigmas, como fomos no fim dos anos 50 e na década de 60 com a seleção de Pelé e Garrincha, ou nos anos 70 com a Holanda e seu carrossel. Que aliás lembra muito o modo que o time da foto acima joga. Se formos pesquisar um pouco mais, o que os futebolísticos chamam de “futebol-força” excessivamente defensor surge da seleção italiana de 82, campeã vencendo o então futebol arte brasileiro (quem tiver menos de 30 anos pergunte aos seus pais como o país ficou depois da tal “Tragédia do Sarriá”).

Mas a questão aqui não é comentar sobre futebol. Isso deixa com quem entende, as mesas-redondas, os colunistas da mídia e os torcedores das mídias sociais. O que me chamou a atenção são as lições que a agremiação pode ensinar para quem está começando uma empresa. Talvez pela minha fase de vida ser essa atualmente e como líder de um tema nos Inovadores ESPM acabei por fazer as associações. Vejam só:

- O Barcelona viveu anos sem títulos de expressão continental ao longo dos anos 70 e 80, mesmo investindo pesado em craques da época como Maradona. Nos anos 90 voltou a vencer apostando em estrelas em ascenção, como foi o caso de Romário, às vésperas da Copa de 94 e Ronaldo logo depois dela. Mas percebeu-se que seria muito oneroso manter este modelo de gastos vultosos em contratações e salários. Foi quando o técnico Jordi Cruyff (holandês – falamos de Holanda antes por aqui certo?) viu que poderia obter os novos talentos e perpetuar o sucesso da agremiação apostando nas categorias de base. E apostar num fundamento do jogo: o passe de bola. Veja a declaração de um dos talentos recrutados por Cryuff, o hoje ex-jogador do time e atual técnico Josep Guardiola:

“os jogadores têm de pensar rápido e jogar com inteligência, sempre sabendo qual será o próximo passe (…). É assim que aprendemos a jogar e que o público espera que joguemos: de forma atraente, mas sem perder a eficiência (…). Cruijff (…) nos ensinou a jogar movimentando a bola rapidamente. Ele só usava jogadores de grande técnica. Quando procuramos por jogadores, ainda queremos essas qualidades”

Lições para o empreendedor:

- Revisite sempre seu modelo de negócio: a fase atual do Barcelona começa a partir da visualização que não poderia manter-se gastando horrores com craques consagrados. Optou por moldá-los dentro de casa, indo na contramão dos outros times europeus, alguns até hoje preferindo investir pesado no possível retorno ao invés de fazer pequenas grandes apostas. Outro dado interessante: a agremiação catalã pela primeira vez em 111 anos cedeu seu espaço principal na camiseta para um patrocinador ao ver que teria descasamento entre receitas e despesas. Alguns saudosistas chiaram, mas não hesitou-se em revisitar e mudar o status quo.

- Acima de tudo, a cultura: o modo de jogar do Barcelona está presente desde as divisões de base até o profissional. É o passe de bola, e será assim por muito tempo. Isso explica em parte o porquê que conseguem ter sempre o domínio da bola frente aos adversários. A outra parte explico a seguir.

Prestem atenção agora a estas duas fotos de times do Barcelona:

A diferença entre estas duas fotos: 2 anos (2009 a esquerda e 2011 a direita). Ou seja, há 2 anos o time do Barcelona é exatamente o mesmo. Que joga cerca de 70 partidas por ano e treina mais de 200 dias, pelo menos meio-período. Se formos mais atrás metade deste time joga junto desde 2006, quando perderam o mesmo campeonato para o Internacional de Porto Alegre. E estamos falando do time profissional.

Lição para o Empreendedor

Excelência = Esforço + Tempo – O time do Barça joga junto há tempos. Messi por exemplo tem mais de 10 anos vestindo o uniforme catalão. Os jogadores possuem talentos individuais, mas é o entrosamento com a cultura e as práticas do time que levam-os tão longe. Pep Guardiola foi jogador de base, profissional e hoje é técnico, perpetuando entre seus liderados as lições aprendidas ao longo de mais de 20 anos filiado ao clube. Ir direto a resultados de curto prazo, buscar a aceleração da sua equipe/produto/serviço pode ser um desperdício de talentos e dinheiro. Toda boa solução tem seu tempo. Vejam o quanto o Real Madrid, principal adversário local do Barça, gastou com diferentes elencos ao longo dos últimos anos e comparem os resultados.

Poderia acabar por aqui. Mas como diria Steve Jobs, tem mais uma coisinha.

E, obviamente, é a mais importante :-)

Prestem atenção na declaração do técnico Guardiola sobre a diferença entre quantias envolvidas entre Santos e Barcelona seria uma vantagem.

É galera, chocante não? Só que aqui temos o aprendizado final.



Lição ao empreendedor

- Acredite no SEU sonho, não na realização do outro: O brasileiro sempre foi conhecido pelo futebol-arte, moleque, na direção contrária a força física e rígida disciplina tática européia. Após alguns insucessos optou-se por adaptar-se as supostas “melhores práticas” internacionais, como forma de concorrer com eles e também obter lucros com a venda de jogadores com base brasileira ao exterior. Hoje batemos palmas àqueles que utilizaram nosso passado como uma das fontes de inspiração.

Ter atenção às tendências é necessário, adaptar-se a novos tempos é fundamental, mas abandonar a essência que faz sua solução existir (seja ela um time, empresa ou marca) em prol dos resultados de curto prazo é o caminho mais rápido para chegar a lugar nenhum.

Serve no futebol. Serve para as marcas, até porque já discute-se muito sobre isso há pelo menos meia década. E neste momento de “descobrimento” do empreendedorismo no Brasil serve para quem está construindo seu sonho também. Jamais esqueça o que te faz ascender a lâmpada sobre sua cabeça. Como você vai fazer a bola rolar mais rápido e deixar sua marca ao longo de muitas temporadas, não somente um mero campeonato.

Feliz natal e um próspero ano novo a todos!!!

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