O cinema da sociedade em rede: tendências e cases

O conceito que temos de “filme” em nossas mentes está mudando. Ultrapassando o estigma de uma tela projetando uma única imagem em movimento, vemos acontecer a hibridização de diferentes tipos de mídias em uma mesma composição, como motion graphics, animação, tipografia, cinematografia tradicional, realidade aumentada e infinitas camadas de mídias editáveis.

De acordo com Lev Manovich, essa nova composição faz do filme um meio mais dinâmico, podendo ser acessado através de múltiplas “janelas”, carregando diferentes informações em um único frame. A história passa a ser vista como um banco de dados, com sua narrativa e imagens sendo a interface aberta cujo o público pode entrar e manipular, da mesma forma que faz em um computador. Assim, vemos o cinema se tornar uma hiper-narrativa, onde múltiplos caminhos podem ser acessados a partir de um banco de dados. Esses caminhos podem levar para diferentes narrativas, e o filme se torna um exercício pessoal, descentralizado e participativo.

“Para todo discurso, encenação, ação e acontecimento há um espectador. Uma plateia que por vezes parece não existir, mas está ali e é extremamente observadora.” E essa multidão tem poder, tem sabedoria, e quer participar. Abaixo, alguns cases de filmes inovadores, que já integraram à sua narrativa a experiência social e ativa deste cinema em transformação.

Experiência social

Him, Her and Them: o primero filme no Facebook

O usuário se conecta ao filme através de um aplicativo no Facebook e assiste a uma história que se desenrola em experiências sociais e transmidiáticas, compartilhadas com amigos e outros usuários. Os espectadores podem comentar e curtir conteúdos no meio do filme, que percorre diferentes caminhos interativos dependendo de como respondem a ele. Seria o futuro das produções cinematográficas?

Filme e Trailer

Inside: filme de terror onde o quem manda é público

Inside, um filme de experiencia social dirigido por DJ Caruso convida usuários do Facebook, Twitter e Youtube a participarem em tempo real dos acontecimentos e ações dos personagens. A história é simples: uma menina acorda trancada em um quarto e sua única forma de comunicação com o mundo exterior é um laptop. O público tem a missão de ajudá-la a escapar.

Crowdsourcing

#18DaysInEgypt – Um documentário crowdsourced sobre o Egito

Se você testemunhou ou gravou algum material dos acontecimentos no Egito, divulgue-o nas redes sociais com a tag #18daysinegypt. A equipe do projeto irá recolher estes materiais e, em um mashup, irá construir um documentário com a visão da multidão.

Site do projeto

Life in a Day: filme colaborativo produzido por Ridley Scott

O filme colaborativo contou com a colaboração de 80 mil vídeos de 197 países e em 45 línguas, enviados pelos usuários do site. O projeto do diretor Kevin MacDonald consistia em que os usuários filmassem suas vidas durante as 24h do dia 24 de julho de 2010. Segundo ele, as 4,6 mil horas de conteúdo foram editadas e, agora, apresentadas no festival de Sundance e no YouTube. A produção é de Ridley Scott. “Será um autorretrato da raça humana em um dia. Quero compartilhar humanidade, similaridades entre pessoas diferentes”, explicou MacDonald, em entrevista para o G1.

Canal no Youtube do projeto

Crowdfunding

Lemonade: Detroit – Movimento crowdfunding para ajudar na produção do filme

“Torne-se um produtor: compre um frame do filme por $1″. O documentário conta a história de pessoas inovadoras por trás da reconstrução da cidade de Michigan. E, para ser pós-produzido e distribuido pelo país, os criadores do filme precisam de ajuda e investimento. Por isso, estão utilizando o movimento crowdfunding, ou seja, sendo financiados coletivamente por pessoas que tem interesse em ver o projeto ir pra frente.

Site

4D

O filme Pequenos Espiões 4 será exibido em 4D. Graças à tecnologia Aromascope, o público poderá também sentir o cheiro do que aparecer na tela. Para isso, cada espectador vai receber um cartão com números. Quando algum deles aparecer, o cartão deverá ser esfregado para liberar o aroma correspondente.

Viralização

Batman – The Dark Knight Rises: quebra-cabeça social para os fãs

Em maio de 2011, foi criado um buzz em torno do lançamento do site para o próximo filme do Batman, The Dark Knight Rises. Os fãs foram surpreendidos com uma tela toda preta acompanhada por uma trilha sonora de chat e, usando um programa de áudio, descobriram que o espectro de áudio enunciava #thefirerises. Isso levou os fãs a uma conta no Twitter @TheFireRises, que mostrava vários tweets com links para outro site com uma imagem de Tom Hardy, que interpreta o vilão Bane no filme. A fotografia foi composta por fotos de perfil de usuários do Twitter e Facebook que compartilhavam o site nestas redes sociais, clicando em “Add Me”.

Site

Hoje o cinema vive um momento de reinvenção, unindo-se às demais artes e criando obras que propiciam outras maneiras de se relacionar com as imagens, com espaço, com o tempo, com os sentidos e com o espectador. Como acredita Arlindo Machado, os vários meios diferentes – cinema, vídeo, televisão, multimídia – estão convergindo em direção a um meio novo, que será único, mas plural.

Fontes: Trendwatching, The Creators Project e PSFK

Por: Samanta Fluture com colaboração de Talita Carvalho, Gil Giardelli e equipe InovadoresESPM

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4 Responses to O cinema da sociedade em rede: tendências e cases

  1. Rozana Gimenez Fluture says:

    Intrigante! Mas como vai ser a produção de um filme? Não será mais necessário ter um determinado número de pessoas trabalhando para a exibição do filme. Ou o que muda é o modo de fazer cinema?
    Por exemplo: se eu quiser, pego uma câmera e saio filmando determinadas coisas que vou compartilhar com as pessoas que eu escolher, ou nas redes sociais que utilizo etc. Posso fazer isso, certo? Mas, vou ganhar dinheiro como, se quiser “viver” disso?

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