Olá pessoal,
Faz pouco mais de um ano que estou pavimentando uma trajetória empreendedora. E duas das coisas que logo aprendi nesta trajetória são: a importância de viver os seus sonhos e a relevância de construir uma rede de contatos variada e sólida.
Vamos falar de sonhos mais tarde neste post. Vamos nos concentrar primeiro na construção de uma comunidade.
Para quem não sabe, o maior exemplo global de comunidade empreendedora, o Vale do Silício na Califórnia, nasce da mescla entre o nascimento e concentração de indústrias do segmento bélico e de segurança (de grandes investimentos) nos anos 50 com a contracultura do final dos anos 60 e início dos 70. Os filhos dos baby boomers ficaram fascinados com as possibilidades da então incipiente microinformática e de uma possível fusão de traços da ruptura cultural da época com a chegada dos gadgets às massas e a partir daí começaram a experimentar.
Ajudou muito na evolução do Vale do Silício a existência de uma economia forte local (a Califórnia sempre foi um dos estados mais fortes dos Estados Unidos), uma faculdade de ponta nas proximidades (Stanford – que depois não por acaso tornou-se referência mundial em empreendedorismo e design thinking) e a junção de empreendedores, investidores, acadêmicos e interessados em torno de uma comunidade. A primeira delas chamava-se Homebrew Computer Club, foi a percursora dos hoje blasés meetups e tinha entre seus primeiros representantes então novatos como Steve Jobs, Steve Wozniack, Bill Gates, Nolan Bushnell (fundador da Atari), Michael Dell, Gordon Moore e Andy Groove (fundadores da Intel), entre outros.
Sabe-se que jamais ninguém poderá replicar o modelo de formação do Silício – pelas perspectivavas particulares de cada país. Porém os aspectos macros estão aí como premissas para a formação de uma comunidade forte e consolidada, de ajuda mútua para que suas empresas avancem em conjunto rumo ao sucesso. A Atari empregou Jobs, que foi buscar apoio na Microsft e na Intel em diferentes pontos da história da Apple, cujos ex-empregados montaram startups depois adquiridas pela própria maçã (o iPod e o iTunes são startups formadas por ex-Apple).
Hoje temos uma situação privilegiada no Brasil. Temos capital para novas empresas, tanto vindo de entidades setoriais ou governamentais porém principalmente de pessoas físicas/jurídicas de sucesso. Fazemos 19 milionários por dia no país e eles não parecem que querem repousar seu capital “em berço explêndido”. Além de alavancarem o consumo de luxo estão ávidos por aumentar seus patrimônios. E porque não apostar em novas empresas?
Para ajudar ainda mais, temos instituições de ensino em processo acelerado de modernização. Se ainda não temos um número relevante de faculdades entre as 100 principais de qualquer ranking, não é por falta de revitalização daquelas interessadas. Escolas de todo o país estão de olho no que o mercado e principalmente seus alunos estão demandando e buscando adequar seus currículos aos novos tempos de Brasil emergente. Um reflexo disso é a demanda crescente de instituições estrangeiras em fazer parcerias com faculdades brasileiras – principalmente intercâmbio entre alunos. Além disso o advento da internet faz com que os alunos, quando não satisfeitos com o que encontram dentro da sala de aula recorram à rede para obter a formação extra necessária para cumprir com seus objetivos pessoais.
No entanto ainda não temos uma comunidade empreendedora de alto impacto bem desenvolvida. Algumas iniciativas regionais são relativamente assertivas, realizam bem os seus papéis, principalmente em SP, RJ e PE – o último obra de um visionário ao criar o principal pólo digital empreendedor do país, o professor Sílvio Meira. Mas ainda não temos uma rede nacional de trocas de informações, experiências e negócios. E também o contingente de pessoas envolvidas é relativamente baixo, uma vez que não estão todos devidamente cientes das possibilidades e dinâmicas que podem levar um sonho para a realidade e depois ao sucesso.
E aí começa a minha trajetória.
Logo após o primeiro curso que fiz de mídais sociais que fiz, com o professor Gil Giardelli na ESPM acabei por formar a primeira comunidade – sobreEmpreendedorismo na Era Digital. Hoje somos mais de 80 pessoas entre empreendedores, interessados, investidores e acadêmicos desenvolvendo estudos e práticas para o fomento de um novo mindset que envolva a coragem e algum planejamento para a prática empreendedora.
Fiz alguns workshops na ESPM atrelando empreendedorismo digital com economia criativa, fruto de dois dos grupos e algumas das cabeças mais brilhantes do Inovadores ESPM – Núcleo de Mídias Sociais e Inovação Digital. Porém queria algo maior, algo que realmente não fosse o modelo de negócio de classe média-alta para seus pares (temos este problema aqui ainda – quem empreende tem certa miopia para ver negócios além de seu “cluster” social), que realmente tivesse uma abrangência nacional e mais perenidade. Fazer a cabeça de mais pessoas sacaram?
Sentia que o que estava fazendo era semear, mas a germinação era pouca perto do que gostaria de chegar.
No início de 2012 refletindo sobre quais seriam os próximos passos para o novo ano, deparei-me com uma matéria da Fast Company, falando sobre o porquê dos designers serem o futuro do empreendedorismo estadunidense e contando o caso do Dream:In como perspectiva de nova dinâmica de desenvolvimento de negócios de alto impacto.
Mas o que é o Dream:In?
Nascido na Índia ano passado, trata-se de uma dinâmica fantástica, onde o objetivo é de desenvolver modelos de negócios de alto impacto baseado no argumento mais puro e importante de qualquer um de nós: nossos sonhos. Na sua primeira rodada, mais de 3 mil pessoas envolveram-se diretamente no projeto ao redor do segundo país mais populoso do planeta. A equipe foi capitaneada por Sonia Manchanda, reconhecida designer local e um brasileiro – José Carlos Teixeira, professor da Parsons New School of Design de Nova Iorque.
Mais detalhes sobre o Dream:In você encontra no site indiano: http://www.dreamin.in/about.html
O Dream:In consiste em uma metodologia composta por três etapas: Sonhar, Acreditar e Realizar.
Na primeira delas (Sonhar), uma equipe vai às ruas entrevistar diversas pessoas dos mais variados tipos de classes sociais, credos, estruturas familiares e idades – é a jornada em busca dos sonhos das pessoas. Como conseqüência um portal é instituido para troca de informações e engajamento daqueles que por ventura querem se envolver com o projeto.
Chegando à segunda etapa (Acreditar), grupos regionais formam o que é chamado de “Conclave”. Trata-se de um evento prévio com os facilitadores do projeto (pensadores, acadêmicos, empreendedores, voluntários e estudantes) onde discute-se os vídeos e alinha-se quais são os principais sonhos do local pesquisado. Esta mescla garante que o conteúdo condensado em grandes temas chamados “cápsulas” são aderentes à realidade encontrada.
O objetivo dos Conclaves regionais é a solidificação dos temas para a grande reunião nacional, onde 400 pessoas terão a oportunidade de explorar os sonhos de toda uma nação e transformá-los em modelos de negócio de alto impacto, num ambiente rico de experiências e vivências diferentes. Como inspiração e apoio ao fomento de idéia nesta etapa são chamadas pessoas que tiveram um sonho, correram atrás e o realizaram com sucesso – os Big Thinkers.
Com esta mescla de pessoas e sonhos, as soluções desenvolvidas neste evento nacional que dura três dias ficam disponíveis para consulta pública no site do projeto Dream:In do respectivo país/região, então qualquer um pode coletar uma idéia que seja interessante e aplicá-la, ou convidar aqueles que a desenharam para participar da implementação e vice-versa. É a etapa final desta primeira rodada do projeto (Realizar).
Ao conhecer com detalhes o projeto, tive a certeza que deveria trazer algo do gênero para o Brasil. Era a chance de construir algum legado para a faculdade que me apoiou tanto desde os dias de trote até os dias atuais.
E aí a surpresa: não só o evento já estava pronto para aportar no Brasil, mas a ESPM vai recebê-lo!
Não sozinha, mas com faculdades de ponta de todo o Brasil: UNISINOS, PUC-RJ, UEMG, UnB e UFMA. Com o apoio da Parsons e da NICC – faculdade indiana onde leciona a Sonia e a liderança no Brasil do Instituto Vivarta, cujos responsáveis foram até a Índia na pioneira rodada inicial para capacitar-se e posteriormente replicar o modelo em território nacional.
Mais interessante ainda foi ver a galera envolvida na primeira reunião que tive sobre o projeto, semana retrasada, referente ao conclave regional de São Paulo. Professores da pós-graduação e de cursos de extensão da ESPM, da consultoria Design Echos, empreendedores e interessados com brilho nos olhos para ver este projeto sair do papel e tornar-se sucesso e referência para a formação de uma consolidada comunidade empreendedora no país.
Ou seja, não tem como este projeto não dar certo. Gente de altíssimo gabarito, das mais diversas áreas como designers, administradores e publicitários, lidando com carinho dos sonhos de uma geração que, conforme dizia certo ex funcionário público, “Nunca antes na história desse país” teve tamanhas condições de verem seus sonhos realizarem-se.
Vivemos tempos fantásticos. Nunca o Brasil esteve tão bem social e economicamente. O país do futuro chegou ao seu melhor presente. Os olhos do mundo estão para cá – e continuarão depois da Copa e Olimpíada. Por mais que temos problemas no planejamento e execução destes eventos, bem como burocracias e entraves para o desenvolvimento do país como um todo, o fenômeno que estamos vivendo é irreversível. Somos um dos protagonistas da dinâmica econômica e social do planeta.
Como conseqüência nunca foi tão vantajoso empreender no Brasil como agora. Temos um mercado de proporções tão continentais quanto nossa extensão territorial. Temos mais de 100 milhões de habitantes que subiram de classe social nos últimos 10 anos, o que significa um contingente de pessoas sedento por produtos e serviços de qualidade por um preço justo. Não a toa a maior taxa de crescimento da base de veículos, viagens, computadores e smartphones é aqui. Pessoas que por décadas ficaram a mercê de assistir os mais abastados terem acesso ao itens do seu imaginário agora sentem-se aptos a obterem-os.
Como conseqüência do modelo econômico catastrófico que vivemos ao longo de muitos anos, desenvolvemos o empreendedorismo nacional. Parece contradição dizer isso, ao mesmo tempo que muito daqueles que lerão este post dirão que foram moldados pelos pais a trabalharem em grandes empresas e buscar um cargo de alta patente. Mas há um sentido.
Enquanto a classe média patriarcal colocava seus filhos nas escolas particulares e faculdades de ponta para “garantir o emprego para a vida toda numa multinacional”, aqueles não tão privilegiados tiveram que virar-se com os recursos que tinham. Montaram seus mercadinhos, açougues, bares, doces para festas, cabelereiros, pizzarias… é daí que nasce o espírito empreendedor nacional. Não no Leblon, Higienópolis ou no Moinhos de Vento. Mas são os nossos rincões que fazem do Brasil um dos países mais empreeendedores do planeta – a necessidade de sobreviver frente a tempos tão difíceis.
(O que é mais engraçado – e hoje vemos um retorno a estes valores – é que a classe média que mandava os alunos às escolas de ponta tinham em suas bases muitas vezes empreendedores de sucesso que montaram seus negócios do zero após figurem de conflitos em outros países, como os italianos e alemães das Grandes Guerras ou os espanhóis e portugueses da Gripe Espanhola. Os pais mandaram os filos trabalharem em empresas consolidadas como segurança frente aos tempos difíceis que passaram. Hoje são os netos que, escorados na realidade vivida pelos pais que partem para iniciativas próprias).
Toda pessoa que empreende parte de uma visão, de um sonho. A graça do DreamIn (e o que representa o seu suceso, segundo a Fast Company) está justamente nisso: ele trabalha justamente os sonhos das pessoas, suas ambições, o que ela espera por um mundo melhor – nem que seja o seu próprio mundo. É isso que a diferencia de outras técnicas de empreendedorismo de alto impacto em curto espaço de tempo e que pode catapultar as chances de sucesso.
Gostou da proposta? Quer participar? Então agora seguem as dicas!!! ![]()
- No dia 26/05, na sede da pós-graduação da ESPM, teremos o Conclave regional de São Paulo. Será um encontro que durará o dia todo e discutirá o material (vídeo) coletado em entrevistas aqui na região metropolitana. Querem ter um dia de altíssima octanagem de idéias e visões para uma São Paulo melhor? Para mais detalhes entrem no site do Dream:In Brasil (www.dreamin.com.br) ou através do mail contato@dreamin.com.br. Conto com a presença de vocês!
SALVEM A DATA!
- O Conclave Nacional ocorrerá no final do mês de Agosto do Auditório Philip Kotler, da graduação da ESPM. No entanto, o evento depende de verba para acontecer em sua plenitude – R$ 60 mil referentes ao pagamento de traslados de possíveis palestrantes, infra-estrutura e facilidades do evento, bem como a construção do portal online onde as idéias ficarão depositadas para livre conferência. Para tanto optou-se pelo método do Crowdfunding, ou seja, as pessoas que apostarem no projeto terão compensações da equipe do Dream:In. Para saber mais e contribuir para o sucesso do evento entre em http://catarse.me/en/projects/627-dream-in-brasil.
Espero que gostem da proposta e que possamos nos encontrar dia 26/05 e no final de Agosto. Afinal, quem não gosta de sonhar? E quem além do mais não gosta de viver seus sonhos na vida real? A oportunidade é agora!
Por João Gabriel Chebante, postado originalmente aqui.












